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14/01/2010 a 20/03/2010
ORIGEM DA PASTORAL DOS SURDOS EM TAIZE/ALAGOINHAS (BA)
Comunidade Taizé
Alagoinhas, Bahia

Um encontro de surdos

No início de julho 1996 no centro de encontros animados pelos irmãos de Taizé no bairro Sta Terezinha na periferia de Alagoinhas, houve mais um encontro de crianças e jovens surdos. Além de uns cinqüenta surdos teve vinte acompanhantes.

Neste encontro se colhiam os frutos de um ano de esforços para aprender e ensinar a língua dos sinais. Há um grupo de jovens do bairro que aprendeu bem esta língua, o "Clube mãos que falam de Alagoinhas". Os componentes se encontram toda semana para praticá-la. E está funcionando no Taizé agora uma escola para surdos: a "Escola Vendo Vozes".

Neste encontro os efeitos desta aprendizagem eram visíveis. Todo o ambiente do encontro era outro do que nos encontros dos surdos no ano passado. Acompanhantes e surdos agora sabem se comunicar na língua dos sinais. Com isso, o comportamento dos surdos muda. Ficam muito mais vivos e animados. Pela primeira vez, participaram inclusive da catequese, começando uma turma de surdos que vai tentar de continuar até fazerem a primeira comunhão.

Do centro dos surdos em Salvador veio um grupo de adultos para o encontro. Apresentaram vários cantos. Um toca-fitas tocava a música e o "Coral do silencio" fazia as palavras com as mãos e gestos do corpo Era um momento de grande beleza.

Domingo de manhã, na celebração da missa, os surdos apresentaram o Evangelho, e o "Coral do silencio" "cantou" de novo. Toda a liturgia foi traduzida em língua dos sinais. Um casal de Aracaju, que veio pela primeira vez à Alagoinhas, disse ter experimentado o Reino de Deus nesta celebração, pela comunhão e participação ativa de todos, inclusive os que costumam ficar à margem e excluídos.



alguns dados

O numero de portadores de deficiência auditiva: só no bairro onde fica Taizé foram descobertos até agora:

35 crianças e jovens surdos, sem contar os adultos

O numero total em Alagoinhas todo está desconhecido.
A maioria dos surdos fica fora do sistema escolar e não estuda em lugar nenhum.


Devido à esta constatação, de maio a junho de 1995 foi realizado um curso de Língua de Sinais no Taizé ministrado pelo professor José Tadeu Raynal Rocha do "Centro dos surdos de SSA", promovido pela Comunidade Taizé com apoio da Prefeitura.

Participaram desse evento familiares dos surdos, 20 jovens do bairro Sta Terezinha, 5 professoras da prefeitura e algumas professoras do Colégio da Sociedade Pestalozzi.

Após o termino deste curso, a Comunidade Taizé planejou a criação de uma classe especial para surdos, objetivando por em prática toda a aprendizagem adquirida do mesmo, em prol das crianças carentes, e solicitou da prefeitura uma contribuição com professoras.

Agosto 1995: Na "Escola Companheiros de Emaús" (Taizé) começou a funcionar uma classe especial para alunos surdos: Ela se tornou hoje em dia "Escola Vendo Vozes".

Transporte escolar: como a prefeitura não fornece um transporte escolar adequado para deficientes auditivos ou outros deficientes, foram contratados duas carroças que diariamente levam uma parte dos alunos para a sua escola.

São realizados periodicamente no Taizé encontros destinados para portadores de deficiência auditiva. Houve um em outubro 1995, tendo a participação do Padre Vicente Burnier de Juiz de Fora, MG, um dos dois únicos padres surdos do Brasil, celebrando pela primeira vez em Alagoinhas uma missa em língua dos sinais, na Igreja do Taizé.

Em janeiro 1996 foi realizado outro curso de Língua de Sinais, orientado pelas Irmãs Stelamaris e Solange, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida de Porto Alegre, RS (EPHATA Instituto Frei Pacifico de Porto Alegre), promovendo também um estágio para as professoras e os jovens com a finalidade enriquecer seus trabalhos.

Fevereiro 1996: Fundação do "Clube Mãos que falam de Alagoinhas"
para jovens do bairro Sta Terezinha, interessados em praticarem a Língua dos Sinais e darem apoio à "Escola Vendo Vozes". Alguns membros desse grupo substituem as professoras quando estas viajam à seminários de educação

A Escola Vendo Vozes tem 22 alunos de vários idades. O ensino é ministrado pelas professoras Cristiane Rodrigues -de Aquino e Ana Maria de Santana Borges, tendo como diretora Débora Coelho Corrêa. Estas professoras no mês de julho de 1996, visitaram escolas em Salvador, observando aspectos físicos e metodológicos viáveis, afim de aperfeiçoar e reestruturar o trabalho.

04/09/96

Comunidade Taizé, C.P. 38, 48100-000 Alagoinhas, Bahia, Brasil,
tel 075 / 422 47 48 fax 075 / 422 49 77

Classes para Surdos

Desde 1990, os irmãos de Taizé começaram a convidar portadores de deficiência para encontros na sua casa. O centro de encontros da Comunidade Taizé fica na rua São Lázaro, n° 700, entre os bairros Santa Terezinha e Vale de Nova Esperança, nesta cidade de Alagoinhas. É aí que vivem alguns irmãos desta Comunidade, desde o ano de 1978. Muitos alagoinhenses conhecem o lugar pela participação em encontros de espiritualidade ou nas orações da Comunidade.

Entre os portadores de deficiência tinha um certo número de surdos-mudos. Para maioria deles, o problema é a ausência de comunicação, sem outras deficiências. Por isso, além dos encontros para portadores de deficiência em geral, a Comunidade Taizé passou a organizar encontros só para surdos-mudos. Descobriu-se que, nos bairros da vizinhança tinha mais de 35 crianças e jovens surdos-mudos!

Em 1994, celebrou-se um primeiro Encontro da Surdez. O resultado prático foi a organização de um curso para aprender a língua dos sinais, ministrado em 1995 pelo Centro Baiano para Surdos-Mudos. Além dos surdos-mudos acompanhados de mais um membro da família participaram vinte jovens do bairro já entrosados com os encontros para surdos-mudos; cinco professoras da Prefeitura; e representantes da Escola Pestalozzi. O curso foi dado a razão de dois dias por semana, durante cinco semanas.

O próximo passo foi a abertura de uma classe para surdos-mudos. A Associação Lar São Benedito, associação beneficente que atua no bairro, forneceu o local e a Prefeitura as professoras. São duas que aceitaram o desafio de se especializar neste trabalho. Como local provisório usou-se o Centro Comunitário do Vale da Nova Esperança. Havia 15 alunos. Uma carroça traz e leva os menores que moram mais distantes.

O trabalho se desenvolveu mais com a colaboração de uma pesquisadora norte-americana que passou algumas semanas na Comunidade. Com ajuda de jovens do bairro para os desenhos, conseguiu publicar um caderno popular para ensino da língua dos sinais, muito útil para aprender e transmitir este saber.

Em 1996, já eram duas classes de surdos-mudos. A partir de 1997, elas foram integrados na Escola Comunitária Nova Esperança. Desta forma, dispõem de salas mais adequados, e os surdos-mudos ficam integrados com outras crianças que freqüentam a escola. Vendo-os se comunicando com as mãos, muitas crianças que ouvem, naturalmente, também aprendem alguns sinais e o pequeno milagre da comunicação acontece.

Um grupo de jovens do bairro também continua a se aperfeiçoar na língua dos sinais. Dois representantes participaram, inclusive, de encontros em Salvador e Fortaleza voltados para este tema. Para os surdos que o desejam, estes jovens dão também instrução religiosa e traduzem o que se fala na Igreja. Algumas vezes, um grupo de surdos-mudos por sua vez apresentou um coral na Igreja, experiência impar para todos os presentes.

Para desenvolver-se mais, o ensino para surdos-mudos ainda carece de material didático apropriado, especialmente todo tipo de material audiovisual.

19/05/97: Comunidade Taizé, C.P. 38, 48100-000 Alagoinhas, Bahia
INFORMAÇÕES HOJE - IRMÃO RODOLFO - TEL. (75) 34224748 - rodolfo@taize.org.br

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